Estes dois conceitos andam ou surgem (como queiram ou julguem conveniente) de mãos e pés – porque não? – dados, tal como dizem do amor e do ódio, se em comparações quisermos entrar.
No momento X conheces a pessoa Y e crês, depositas, desejas, até, que ela aja de determinada maneira, crias uma ideia, formulas uma pessoa na tua cabeça, mas depois… NADA… um vazio, uma ilusão que cede lugar à desilusão.
No amor, dizem os entendidos (hum… ou serão esclarecidos?) a desilusão precede a ilusão. Sim! Imagem, desiludes-te mesmo antes de te iludires… rumo natural das coisas? Pois… não sei!
Na amizade ou noutra situação qualquer as coisas tendem a ter um rumo inverso, primeiro iludimo-nos e depois…
Não julguem que este discurso todo pretende demonstrar que as relações interpessoais (seja lá o que isso for) estão sempre presas a expectativas (as aulas de Psicologia parece que serviram para alguma coisa), mas… e quando estas expectativas fracassam? Quando nos prendemos a alguém que, quase de forma inevitável, nos desilude?
A arte de iludir, dizem, cabe aos ilusionistas (a palavra deve derivar da arte que utilizam na sua profissão, não?), todavia somos nós que, retirando uma magia mais ou menos positiva das pessoas ou dos objectos com que nos cruzamos, nos deixamos iludir sem sabermos qual o truque, sem sabermos… NADA!
A ilusão é boa, não digo que não… não nos púnhamos agora a tentar viver sem ilusões que não vale a pena, não conseguimos… ora tentem!
O que é certo é que, desde pequenos somos compelidos a iludirmo-nos ponto, mas… será que além de nos deixarmos iludir também não fazemos que o outro se iluda connosco? Isto parece-me ser inevitável… é a ilusão que nos acaba por aproximar ou afastar.
Enquanto por aqui escrevo (diga-se que estou a escrever isto no dia 25 às 3h da manhã para conseguir “matar” tempo, porque isto de adormecer está a dar que fazer!) lembro-me de uma história ou histórias… Admito que só me dei ao trabalho de pensar nesta dicotomia (ilusão/desilusão) depois de num momento enfadonho na TV ter parado nas tardes da TVI e de ter ouvido as “estórias” de mulheres que admirei, admiro e admirarei… histórias de mulheres que, deixando-se levar pelas aparências quase “angelicais” cós companheiros caíram , caíram nas teias da violência doméstica… Afinal, onde está o príncipe encantado das histórias da Gata Borralheira e da Branca de Neve? Onde param eles?
Esta sim é a ilusão que começa a ser cultivada por avós, mães nas cabeças das miudinhas de 2, 3 ou 4 anos e que, queiramos quer não, se vai mantendo… Pensem… todas as mulheres, novas ou velhas, mais ou menos maduras, dizem procurar a pessoa certa, aquela que se insira nos padrões que são definidos desde a infância. Todas… ou uma ampla maioria, vá! Todas anseiam encontrar a perfeição, não só no outro como nelas mesmas…
Mais uma vez, uma ILUSÃO.. a perfeição! Saibamos perceber que a perfeição não existe, ou se existe é sempre porque algo foi deixado para trás e nunca será plena!
Onde é que eu ia mesmo? Ah!
Retomando a crítica que me apraz fazer neste momento às histórias que impingem às criancinhas, aquela ideia da madrasta má (não sei porquê, na maioria dos contos infantis, o género feminino é sempre o que é classificado por ter mau génio, isso também valeria uma outra crítica que não vale a pena estar a esmiuçar) é também uma ideia preconcebida, há madrastas/ padrastos bons e maus… há de tudo!
Mais uma vez sublinho que não condeno a ilusão, como já referi o ser humano tende a não saber viver sem a ilusão, agora devia era arranjar um mecanismo para conseguir distanciar a ilusão da realidade para evitar grandes males.
Servindo-me novamente do exemplo da Violência Doméstica (um fenómeno que me choca particularmente, não sei dizer muito bem porquê, mas é sempre aquele sentimento que “porquê? Está tudo tolo?” e que ainda por cima tive a oportunidade de trabalhar num projecto de grupo na disciplina de AP). Condeno veemente os actos atrozes desencadeados por companheiros(as)/pais (mães)/filhos(as) (tenhamos presente a ideia de que este fenómeno não se limita à violência entre o casal), não obstante, não me canso de sublinhar que a ilusão das vitimas face a determinado ser foi um pequeno passo para a primeira estalada, para o primeiro berro que acabou por se intensificar… Não recrimino nenhuma das vítimas por não se terem apercebido a tempo do que poderia estar a acontecer, porque estas mulheres quando deixam a ilusão de lado e se apercebem do pesadelo que vivem são as primeiras a culpabilizar-se por não terem percebido os primeiros sinais, eles existem e muitas das vezes começam no namoro (para fazer referência aos casos de violência doméstica que mais vulgarmente surgem nos órgãos da segurança publica e em IPSS’s).
Agora… como podemos “acordar” para determinadas situações de forma precoce? Como?
Para estas perguntas ainda continuo á procura de respostas, mas elas teimam em não surgir‼
Enfim… saibamos antes conciliar a ilusão com a realidade, já que não conseguimos viver sem as duas, às quais se junta a desilusão!